sabato 8 aprile 2017

PAOLO PASQUINI: Aprender uma língua tem consequências de natureza somente pragmática e cultural?



Agradecemos ao nosso aluno de 1º nível, PAOLO PASQUINI, este belíssimo texto que quis partilhar com os leitores do nosso blogue.


Johns Hopkins University



APRENDER UMA LÍNGUA TEM CONSEQUÊNCIAS DE NATUREZA SOMENTE PRAGMÁTICA E CULTURAL?

Não. Há também consequências psicológicas e até neurológicas, como por exemplo o incremento das sinapses, as conexões entre os neurónios do cérebro.
Mas aqui eu desejo referir uma experiência pessoal recente, relativa a uma consequência relacional e afetiva. É pouca coisa, mas, ao mesmo tempo, interessante e, acima de tudo, constitui um pretexto para um exercício.
Eu tenho um amigo brasileiro de 77 anos, conhecido em 1976, quando eu tinha 30 anos e estava nos Estados Unidos da América, para estudar na Universidade John Hopkins de Baltimore.
Agora ele é um célebre professor na Academia Americana. Nem a diferença a nível profissional, nem a distância, impediram a duração e o reforçar da amizade entre as nossas famílias. Mas uma grande assimetria existiu sempre: o meu amigo é um intelectual muito culto (ainda que médico!), enamorado da cultura e arte italianas e fala italiano tão fluentemente que muitas vezes, em Itália, em faz cursos em italiano.
Pelo contrário, eu não falo português e não conheço a cultura brasileira.
Até agora este era um dado de facto, tido por óbvio. Mas quando, há uma semana, o meu amigo recebeu um e-mail que eu escrevi em português, ainda que muito cheio de erros,ele reagiu com maravilha, alegria e comoção. Uma reação automática, que não passa através do córtex cerebral, mas que é imediata, porque afetiva e regulada pelas secções mais baixas e primitivas do sistema nervoso central, e que diz respeito ao núcleo mais verdadeiro, profundo e antigo da nossa identidade.
A verdade é que com a nossa lingua-mãe nós somos crianças.
O ensinamento de uma língua é uma atividade com uma imensidão de implicações e profundamente humana.

PAOLO PASQUINI
Roma, 1 de abril de 2017

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